Olha aí o Marcio Abbes desfilando suas emoções em palavras sobre essa joia rara musical do Yes chamada “Roundabout“.
Leia o texto abaixo:
A primeira vez que vi a capa do disco “Fragile” tive uma sensação de fascinação pela arte de Roger Dean. Ver uma aeronave construída de forma artesanal em madeira sobrevoando um planeta diferente, mas com a cara do planeta Terra, era uma visão que já me deixava louco para ouvir a bolacha.
Uma capa que colocaria o Roger Dean numa posição de um dos maiores ilustradores do mercado musical. Pena que a capa nacional é vergonhosa. O disco é uma verdadeira obra-prima do rock progressivo. Aponto como um dos melhores do Yes junto com o “Close to the Edge” e “Relayer“.
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Escolher o melhor do Yes é um desafio extremamente difícil. Não apenas a capa já me deixou chapado no primeiro contato, mas também a música “Roundabout” já me nocauteou logo na primeira faixa em relação a todos os meus pensamentos de que algum erro poderia ocorrer na gravação do disco.
Se alguém me perguntasse qual a melhor música de hard progressivo realizada por uma banda, automaticamente escolheria a belíssima música, que começa com um arranjo de violão com harmônicos que me tornou prisioneiro de tentar no meu violão durante anos. Nunca consegui tocar igual. Também só arranhava violão.
A introdução da música faz parte da minha memória afetiva. Vou morrer com ela. O brilho da música só estava começando, já que todos os músicos vão se tornar protagonistas da rica faixa inicial. Entre o ritmo de rock ‘n’ roll totalmente envolvido pelo timbre lindo e genialmente gordo do baixo de Chris Squire.
Nada mais fascinante do que misturar rock ‘n’ roll com progressivo. Entra a voz delicada de Jon com toda energia para cantar e espalhar um som mais pesado e estranho ao Yes. Rick Wakemam já aparece rasgando o teclado na sua grande estreia na banda. Bill Bruford sempre com a sua técnica apurada.
Jon quando anuncia “In and around the lake“. O ritmo de rock simples e direto já está totalmente integrado com o progressivo. O hard progressivo injetado de forma visceral na veia. Não há como não se envolver totalmente com o que se escuta. Rick detonando a tecladeira no fundo da música.
Difícil explicar algo tão simples e, ao mesmo tempo, complexo. “In and around the lake” se repete para chamar um das levadas de baixo mais fantásticas realizadas no mundo do progressivo. Chris Squire supera todos os timbres saturados com o seu ritmo avassalador, que veio para marcar o belo arranjo sincopado de Rick. Voltam os lindos harmônicos no violão. Aparece agora de forma suave a voz do Jon para declarar “In and around the lake“.
O jogo está completamente ganho para dizer que uma das melhores músicas do rock progressivo está sendo executada. A sequência vem com uma quebradeira nos teclados, guitarra e bateria, para que um lindo solo de guitarra melódico apareça e comece a fazer a despedida de uma música perfeita. O final é lindo com o jogo de vozes e o tiro no violão para encerrar a música que já entrou na posteridade do rock progressivo.
Só em pensar que é só o começo do disco, e que este vai terminar com a “Heart of the Sunrise“, onde o Jon emposta a voz para declarar “Sharp-Distance“, tenho vontade de continuar a escrever o que acho da minha audição do disco. Peço desculpa por um texto tão longo, não consegui ser mais sucinto na descrição da maior música de hard progressivo de todos os tempos. É para ouvir a vida toda!








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