(Foto: Divulgação / Time For Fun / MRossi)
O eterno líder floydiano está em São Paulo para divulgar sua turnê “Us + Them Tour”, que chegará ao Brasil em outubro de 2018, em pleno contexto de eleições presidenciais no país.
DETALHES COMPLETOS E INGRESSOS PARA ROGER WATERS NO BRASIL
Ele concedera entrevista coletiva, que você pode ler abaixo:
A divisão entre as pessoas é o tema central de sua música. Essa turnê fala muito disso. Ao contrário do que muita gente previa, hoje estas divisões estão crescendo e ficando mais violentas. Por que isso acontece? Acha que o rock e a música pop podem ajudar nisso?
Roger Waters – Isso acontece porque os poderosos sempre roubaram dos sem poder. Esperávamos que isso diminuísse depois da Primeira Guerra depois da formação da Liga das Nações. E depois da Segunda, com a formação das Nações Unidas e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Há um fórum para expressar os sentimentos dos povos. Mas nada muda. Por quê? Todo mundo continua corrupto. Por que isso acontece? Todos vivemos, especialmente vocês aqui no Brasil, as consequências de séculos de colonização. Oprimiram não só os povos indígenas brasileiros, mas todos os escravos que trouxeram.
Há um motivo para isso. Velhos hábitos demoram a morrer. Algumas pessoas acham que são especiais e que têm o direito de mandar no mundo e roubar tudo. É difícil para elas acharem que há algo errado com isso. Talvez todos os seres humanos devessem ter direitos iguais. Mas eles não acreditam nisso.
A turnê passou 2017 pelos EUA, com várias referências ao presidente deles. Você vai adaptar isso em 2018, em shows no resto do mundo?
Eu já editei uma nova versão [do vídeo] da música “Money”, agora não é só sobre Trump e Putin. Vou adicionar Theresa May, Macron e líderes da Europa, porque vamos tocar lá. Eu adoraria fazer um show diferente para cada lugar, sobre cada problema local, político, discriminação e etc, mas é impossível. Confesso que não tinha pensado na América do Sul ainda. Estou pensando na Europa.
Sei que vou enfrentar uma grande batalha na Europa. Porque os israelenses vão tentar me matar. Não literalmente, provavelmente, embora eles possam fazer isso também. Eu não ficaria surpreso. Eles são bem estranhos. Mas eles vão me atacar com a toda a voracidade deles para me descreditar.
Mas esse é um problema lateral em relação à ideia dessa turnê, que é: nós somos todos seres humanos. Provavelmente todos temos origens africanas, o mesmo DNA. Temos que aceitar a ideia de que somos todos irmãos e irmãs. E que temos uma responsabilidade de ajudar irmãos e irmãs nessa família.
Todas essas fronteiras desaparecem se pensarmos que estamos destruindo o planeta em que nossas crianças vão viver pelos próximos anos. Por isso o governo Trump entra em qualquer conversa: eles estão determinados em acelerar a destruição da Terra. Seja numa guerra nuclear ou na catástrofe de não prestar atenção nas mudanças climáticas. Não importa, os dois são fatais.
Esse governo é inacreditável. A secretária de Educação Betsy DeVos e o vice-presidente Mike Pence, os dois são da direita sionista cristã raivosa. Eles estão esperando pelo arrebatamento [a volta dos cristãos para o céu, com a segunda vinda de Jesus Cristo, acontecimento que alguns evangélicos acreditam estar ligado ao estabelecimento do povo judeu].
Eles acreditam porque seus avós leram sobre isso na Bíblia. Eles creem que isso está chegando, e querem que chegue. Eles estão encorajando isso de todas as maneiras que podem. Betsy DeVos disse claramente que vai instituir o ensino religioso da criação do mundo como ciência nas escolas públicas. Como assim?
Você já veio para cá nas turnês de ‘Dark side of the moon’ e ‘The wall’. E agora toca essas músicas junto com um disco novo. Como conectar estes discos com essa nova mensagem?
Desde 2001 os EUA já mataram 4 milhões de pessoas no Oriente Médio. É um começo. Quantos muçulmanos há no mundo? Três ou quatro bilhões. Eu estou certo de que se eles mantiverem a fábrica funcionando… Quanto tempo pode levar para matar alguns bilhões de pessoas?
Você sabe que uma versão de ‘Another brick in the wall’ é um jeito de xingar pessoas em estádios e protestos políticos pelo Brasil? Trocamos ‘teacher’ pelo nome do inimigo. O que acha dessa apropriação?
Amei isso. Não tinha ideia. Fico feliz com isso. “Finalmente!” (diz em português).
LEIA TAMBÉM: Não perca a entrevista de Roger Waters no Jornal Hoje deste sábado (9/12/17)









